quarta-feira, 18 de junho de 2008

Análise da 3ª jornada: pontos positivos e negativos.

Na última ronda da primeira fase da competição, as posições atingem extremos e a necessidade ou de pontuar ou de fazer descansar os jogadores mais utilizados na temporada, comanda e condiciona as decisões dos 'managers' das selecções do Euro. Assim, e ao contrário do que sucede na 1ª e 2ª jornadas, alguns jogos acabam por perder parte do seu interesse, mesmo tratando-se de encontros agradáveis e bem disputados, por não existir nada a definir no grupo em causa. Outros desafios, pelo contrário, são 90 minutos de constante busca por uma última vaga, pelos últimos pontos, por um lugar nos quartos-de-final. Jogos que só acabam, verdadeiramente, quando o árbitro apita para o final da partida.


Grupo A:

+ Nihat e a Turquia. Não foi em 10 ou em 15 minutos que a selecção do bósforo consumou a reviravolta fantástica que lhes deu a vitória sobre os checos. O jogo terminava, salvo descontos, aos 90 minutos, mas Kahveci Nihat, em 3 minutos, primeiro graças a um erro de Cech (87') e depois com um golão muito bem colocado (89') deu a volta a um resultado que, desde os 60 minutos já começava a parecer mais que definitivo. Há que destacar o sacrifício e esforço dos turcos antes e depois da expulsão do guarda-redes Volkan (castigado por 2 jogos) num jogo que foi verdadeiramente decidido ao 'photo-finish'.
- A nossa segunda linha. Depois da derrota um amigo meu disse-me uma frase que, reproduzindo aqui de forma mais ou menos imprecisa, exprimia um desejo muito real para todos os que assistiram á despedida da selecção organizadora: "levem daqui os miúdos, tragam lá os homens". É verdade que tivemos azar, é verdade que o árbitro podia, numa situação ou outra, ter decidido de forma diferente, mas nada disso justifica o enxoval que foi levarmos 2 golos sem resposta de uma equipa suíça que não tinha qualidade para se qualificar caso o Europeu não fosse em sua casa. Mais parecia, a certa altura, que estávamos num jogo de despedida do seleccionador helvético e que os "amigos de Portugal" estavam a jogar contra os "amigos do Kobi". Só faltou entrar o Stéphane Chapuisat, o Alain Sutter e o Ciriaco Sforza e podíamos chamar ao jogo "Switzerland All-Stars: The gathering". Palmas para o Scolari que certamente descansou a equipa. O jogo contra a Alemanha dirá se fez bem ou não. Eu gostava de ter ganho o jogo, mas como isso não estava previsto no "menu" e eu não sou o treinador, fico contente por saber que ele também não contava para nada. Safaram-se o Ricardo e o Nani (na pintura, é claro).


Grupo B:

+ A Áustria. Quando os apostadores dão a uma equipa 3% de hipótese de vencer e ela aguenta-se 49 minutos sem sofrer golos e esta, mesmo assim, depois de se ver a perder, não se dá por vencida e tenta, na medida das suas capacidades, chegar ao empate, é minha opinião que deve ser saudada. Foi esse o caso da Áustria, que antes de entrar em campo já tinha, para todos os comentadores, casas de apostas e outros do género, perdido este jogo. Não acreditei que eles pudessem ganhar, mas acho que a Alemanha tinha obrigação de fazer melhor que isto, bem melhor que isto. Boas indicações para Portugal ou gestão de esforço? Amanhã vamos descobrir...
+ Croácia. Parabéns á equipa croata por vencer sem espinhas um grupo onde não eram favoritas e por vulgarizarem uma Polónia que nos deu imensas dificuldades (e acabou á nossa frente) na qualificação. O grupo de Slaven Bilic já não tem as estrelas de 96 e 98, por exemplo, mas mesmo assim, com uma boa mistura de veteranos (alguns trintões mesmo) e jovens (Rakitic, Modric e Kalinic, entre outros) cumpre com os objectivos, surpreendendo na Qualificação e agora no Grupo B deste Euro2008.


Grupo C:

+ Italia. A Squadra Azzurra conseguiu vencer a França e lá se qualificou, contando com a vitória da Holanda sobre a Roménia que tinha mesmo que vencer este jogo e que perante a, até agora, melhor equipa do torneio, não o conseguiu. Uma questão fica agora por responder: como irão os campeões do mundo jogar, sem Pirlo e Gattuso, contra a Espanha?
- Raymond Domenech. Um leitor atento poderia dizer que eu estou numa cruzada contra o seleccionador francês, que ainda estou zangado por causa do Mundial de 2006 e do Europeu de 2000, que não gosto da França ou dos seus jogadores. Não é verdade. Mesmo não sendo a minha favorita lamento aquilo que lhe sucedeu. Mais importante que isso, é o facto de achar que a culpa por estes falhanços europeus (2004 e 2008) não é só dos jogadores mas também do treinador (devendo, a meu ver, começar por ele), sendo normal que ele assumisse a responsabilidade por se incompatibilizar com jogadores como Trezeguet, por escolher os convocados e os titulares nos jogos, por definir a táctica e as substituições, enfim, pela gestão do conjunto gaulês (que aqui para nós, foi um desastre). Se calhar foi uma sucessão de azares, se calhar foi uma preparação deficiente, eu sinceramente não sei qualificar o motivo (ou motivos) pelos quais eles falharam (a falta de Zidane não explica nem justifica tudo), mas para bem dos "bleus" espero que um discurso de confiança e preparação para o futuro não substitua aquilo que já devia ter sido feito: mostrar a porta de saída ao Sr. Domenech.


Grupo D:

+ Guus Hiddink. Costuma usar-se a expressão "venceu e convenceu", quando uma exibição ou o trabalho de uma pessoa superou aquilo que era esperado. No caso do seleccionador da Rússia, Guus Hiddink, eu contento-me com um "venceu". Venceu quando tinha que vencer, foi inteligente na sua convocatória, ganhou aposta com Arshavin (rendeu-lhe um golo contra a Suécia) que foi convocado para a prova lesionado e qualificou-se para os quartos-de-final. A selecção russa disputa com a Croácia o título de equipa-surpresa desta competição. Este holandês, goste-se ou não dele, para além de ser um verdadeiro 'globetrotter', vai acumulando desempenhos impressionantes (e títulos) ao comando de equipas e selecções. Numa raríssima excepção, deixo aqui um link para que conheçam o percurso deste técnico ao longo dos anos.
+ A segunda linha deles. Quem são "eles" a que me refiro? Possuem mesmo uma segunda linha de jogadores assim tão forte? Falo da Espanha e não, não acho que possuam uma retaguarda de jogadores capaz de vencer qualquer um. Mas que equipa é que possui. E frente ao actual campeão europeu em título, Güiza, De la Red 'e sus compadres' foram perfeitamente capazes de alcançar a vitória. Não sem sofrerem primeiro, não sem que o golo da vitória chegasse ao 'cair do pano', mas com mérito.

6 comentários:

Bernardo Rosmaninho disse...

"História" das imagens á parte (até porque este post não foi muito bom em texto ou fotos) queria avisar que amanhã iremos colocar aqui um quadro (que se vai actualizando automáticamente) da fase final do Europeu.

Bernardo Rosmaninho disse...

Fui eu que o concebi, e juntamente com a sondagem para o melhor golo da primeira fase do Euro2008 (que depois terá o golo vencedor envolvido noutra sondagem, esta para o melhor golo da prova) concluo assim a minha contribuição para o Linhas de Passe neste tema. Agora, só comentários e actualizações do nosso quadro permanente. Bons jogos. Fiquem bem.

Anónimo disse...

Não compreendo como é que o Volkan leva 2 jogos e o Schweinsteiger fez exactamente a mesma coisa e leva 1.

A nossa segunda linha não é assim tão má como dizem. Não se pode analisar uma segunda linha num jogo em que eles jogam... todos. Se incluísses aqueles jogadores num 11 com 8 ou 9 titulares provavelmente nem se iria notar a diferença, mas a jogarem todos juntos é normal que não existam rotinas nem princípios.

A selecção suíça não tinha qualidade para se apurar para o Europeu? Então como é que foram ao Euro 2004? E ao Mundial 2006? Eles têm qualidade sim. Não é o Brasil evidentemente, mas têm as suas armas.

O futebol vive de resultados. A frança no Mundial jogava tão mal como agora mas tinha a luz de zidane lá no meio e chegaram à final. Criticas? 0. Pois.

Cumprimentos

Anónimo disse...

Bernas! aqui o Pedro tem razão. A suíça não é assim tão má mesmo que o jogo tenha parecido um pouco aquilo que descreveste.

Não acho que o Zidane seja o único motivo pelo qual a França chegou á final do Mundial. Por exemplo contra nós fizeram uma autentica campanha anti-tuga descrevendo-nos como uns arruaceiros que só sabiam mergulhar. Resultado: passamos 90 minutos a levar pau e não nos deixavam sair do meio-campo com a bola. Faltas? Nada. Ainda bem que a Italia venceu a final.

Anónimo disse...

O Schweinsteiger devia ter levado dois jogos também!! O quadro está bom e este post também apesar de estar mais pequeno que os outros. Pena é que Portugal já esteja fora do Europeu. Não treinaram defesa nas bolas paradas foi o que foi...

Anónimo disse...

Portugal não mereceu saltar assim do Euro, tinhamos um bom seleccionador e um bom grupo. Foi pena. A rússia e a turquia é que merecem ser saudadas - n dava um £ por elas antes da prova começar.